Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 27/10/2011

Pacientes enfentam superlotação e falta de higiene em hospitais públicos

Em um hospital público de Natal, a limpeza sobra para os acompanhantes de pacientes. Os corredores são imundos. Com a falta de limpeza provocada pela greve dos servidores, que já dura 15 dias, a proliferação de insetos é grande. Além das moscas, baratas também são encontradas no local. “Onde não tem limpeza, tem todo tipo de inseto”, diz César Augustus Bezerra, técnico de enfermagem.

“Eu fui varrer o quarto, porque ele já está doente, ainda vai ficar num lugar sujo”, diz Ana Maria Correa, acompanhante de paciente.

“Eu tive que trazer lençol de casa, elas dizem que não têm aqui”, comenta Maria Aparecida de Souza, acompanhante de paciente.

Outro acompanhante gravou imagens com o celular que mostram que o principal hospital público de Palmas está superlotado.

A mãe da dona de casa, Célia Maria da Costa, poderia ter sido atendida em José de Freitas, cidade onde mora no Piauí, mas teve que viajar 50 quilômetros até a capital. "Nem exame de sangue estão fazendo lá. Por isso que trouxemos pra cá”, diz.

Sofrimento também em Mato Grosso. No pronto socorro de Várzea Grande os pacientes continuam internados nos corredores do hospital.

Há poucos dias três famílias do Rio de Janeiro tiveram que correr hospitais atrás de internação para parentes em estado grave. Os três pacientes morreram.

No Rio Grande do Sul, ainda há esperança. A mulher que teve de viajar 500 quilômetros para ter os filhos gêmeos melhora a cada dia. Os bebês passam bem.

Uma casa, nos arredores de Brasília, serve de ponto de apoio para pessoas que tem câncer. A coordenadora faz peregrinação sempre que precisa internar um paciente. “É muito difícil conseguir, porque eles não aceitam. Está em estado final, não querem”, comenta Graça Machado, coordenadora da casa.

A falta de vagas no Sistema Único de Saúde é um problema antigo. O número de leitos no SUS aumentou 30% nos últimos quatro anos. Hoje são 356.875, quase 17 mil deles em UTIs. Segundo o Ministério da Saúde, faltam cerca de 15 mil leitos, mas o problema maior é na distribuição: há concentração nas regiões sul e sudeste.

O professor de administração pública da Universidade de Brasília afirma: “Nós em breve vamos ter um sistema de saúde em colapso no Brasil”, declara José Matias Pereira, professor administração pública – UNB.

Na opinião dele, não falta dinheiro. A administração do sistema é que é ineficiente. “Você tem uma população que está crescendo, demandando cada vez serviços de melhor qualidade e de outro lado um sistema que parou no tempo e que tem uma péssima gestão e uma enorme dificuldade de se modernizar”.

“Não é verdade, a gestão da saúde no Brasil tem melhorado progressivamente. Os resultados da saúde brasileira mostram isso. Com os recursos que temos, nós fazemos muito mais que o setor privado faz no mundo e no Brasil”, afirma Helvécio Magalhães, Secretaria de Atenção à Saúde – Ministério da Saúde.

Mas o Ministério da Saúde reconhece que o sistema precisa melhorar. “Para ter o SUS que todos queremos, precisa de muito mais dinheiro e cada vez mais ter as redes organizadas para atender melhor os usuários”, completa.

Uma solução que precisa sair rápido para impedir a repetição de dramas como o de Numeriano. Ele teve câncer no joelho e passou por maus momentos. “É muito duro depender do sistema de saúde. Uma dificuldade imensa, um sofrimento imenso”, diz Numeriano Dias da Silva, paciente.

Fonte:http://g1.globo.com |27.10.2011


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