Publicado por Redação em Notícias Gerais - 25/08/2014

Endividamento externo do setor privado cresceu no País

As empresas brasileiras têm se apressado para captar recursos no mercado internacional, antes que a taxa básica de juros norte-americana seja elevada pelo Federal Reserve (Fed - bancocentral dos Estados Unidos). Esse movimento tem impulsionado maior endividamento externo do segmento privado no País.

Dados do setor externo, divulgados na última sexta-feira, pelo Banco Central (BC), mostraram que, em julho deste ano, a dívida externa bruta do País acumulou US$ 526,3 bilhões, ante US$ 523,9 bilhões registrados em junho. Já em março, esse número foi de US$ 504,4 bilhões.
No ano passado, a soma da dívida externa estava menor. Em dezembro de 2013, acumulou US$ 482,7 bilhões. E em 2012, ficou em US$ 440,6 bilhões.

O relatório do BC mostra que o endividamento externo dos bancos também se elevou de 2013 para 2014. No mês passado, o acúmulo da dívida foi de US$ 141,3 bilhões, enquanto em dezembro de 2013, de US$ 129,9. No entanto, obteve recuo com relação a junho deste ano, registrando US$ 143 bilhões.

Já a dívida externa do governo brasileiro acumulou, em julho, US$ 64,9 bilhões, ante US$ 65,6 bilhões registrados em junho deste ano. Em dezembro de 2013, o patamar da dívida externa do governo foi de US$ 63,9 bilhões.

A dívida relacionada a empréstimos entre companhias fechou junho em US$ 197,9 bilhões, ante US$ 193,5 bilhões no mês de junho. Enquanto em dezembro de 2013, fechou em US$ 174 bilhões.

O professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Marcos Melo, avalia que a elevação do endividamento privado está relacionado com a maior captação, pelas companhias nacionais, de recursos no mercado internacional, diante da expectativa de escalada dos juros norte-americanos. "As empresas estão lançando títulos de dívida no exterior para poderem aproveitar o momento de um juro menor, antes que o BC norte-americano reduza os estímulos na economia, o que deve acontecer mais para frente", afirma Melo.

O professor do Instituto Insper, Otto Nogami, também concorda com essa análise e afirma que o endividamento externo do País tende a diminuir nos próximos meses, por conta do aumento dos juros nos EUA.

"À medida que o governo estimula o consumo, ele reduz a capacidade de poupar das famílias, então é preciso captar recursos para irrigar o próprio mercado financeiro, financiar o setor público e os investimentos na economia", diz o professor do Instituto Insper.
O professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Agostinho Passalito, afirma que a elevação do endividamento externo não é preocupante e que as reservas internacionais do País oferecem uma situação confortável.

De acordo com dados do BC, as reservas do Brasil acumularam US$ 379 bilhões em julho.


Déficit


As transações correntes de julho foram deficitárias em US$ 6 bilhões em julho, acumulando US$ 78,4 bilhões em 12 meses, equivalentes a 3,45% do PIB. Na conta financeira, destacaram-se os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros diretos (IED), US$ 5,9 bilhões. O superávit comercial de US$ 1,574 bilhão, no mês passado, contribuiu para que o déficit em transações correntes não fosse maior.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, avaliou o resultado das contas externas como favoráveis. Segundo ele, o resultado do mês é "substancialmente melhor" do que o registrado em igual período do ano passado.

O número do mês, quando comparado a julho do ano passado, é 32,90% menor. A projeção da instituição financeira para agosto é de um déficit em conta corrente de US$ 5,9 bilhões.

As despesas de brasileiros no exterior chegaram a US$ 2,415 bilhões, bateram recorde em julho e foi o maior resultado registrado pelo BC, na série histórica mensal, iniciada em 1995. Até julho, os gastos no exterior alcançaram US$ 14,9 bilhões.
 
 
Fonte:DCI - São Paulo/SP - POLÍTICA ECONÔMICA


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